Assomasul orienta restrição de gastos nas prefeituras de MS

Pedro Caravina, presidente da Assomasul: “O momento é de cautela, porque as receitas dos municípios vão cair abruptamente” Por em março 19, 2020 7:48 pm , Categorias: Categorias: Categorias: Categorias:

 

 

Os impactos da crise causada pela pandemia do Covid-19 (coronavírus) preocupam os prefeitos sul-mato-grossenses. A principal apreensão diz respeito ao equilíbrio das contas das prefeituras, que já vinham sofrendo dificuldade devido à situação econômica do país, principalmente em cidades de pequeno porte, as quais sobrevivem basicamente de repasses constitucionais como ICMS e FPM (Fundo de Participação dos Municípios) para sobreviver.

 

Diante da crise global agravada com a pandemia do Covid-19, o presidente da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), Pedro Caravina, orienta a adoção de medidas visando a contenção de gastos nas prefeituras do Estado.

 

A restrição nos gastos públicos, segundo a recomendação da entidade municipalista, deve ser adotada por conta da grave crise econômica que o Brasil atravessa, em especial no setor de saúde pública, e por conta da iminente queda da receita, com reflexo negativo nas finanças dos municípios.

 

Na terça-feira (17), Caravina já havia recomendado a suspensão temporária das aulas nas escolas da Rede Municipal de Ensino, entre outras medidas restritivas, considerando a declaração pública de situação de pandemia em relação à doença pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Decreto Estadual nº 15.393, assinado pelo governador Reinaldo Azambuja, que dispõe sobre as medidas temporárias a serem adotadas no âmbito da administração pública, além do apelo de vários prefeitos preocupados com a situação em seus municípios.

 

Na noite de quarta (18), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o pedido do presidente Jair Bolsonaro para declaração de estado de calamidade pública no país.

 

Caravina disse que conversou esta semana com o governador Reinaldo Azambuja, o qual, segundo o dirigente, demonstrou grande preocupação com esse momento turbulento que vive o país e pediu cautela aos gestores públicos após ele (Reinaldo) ter mantido contato com o Ministério da Economia, de onde ficou sabendo que a arrecadação irá cair nos próximos dias como consequência da pandemia do coronavírus.

 

“O momento é de cautela, porque as receitas dos municípios vão cair abruptamente. Então, a orientação que eu estou passando e que o governador passou é restringir gastos. Se tiver algum gasto programado antes do coronavírus, às vezes uma concessão para o servidor, esse não é o momento de fazer isso, é de restringir e aguardar passar a crise”, aconselhou Caravina em áudio postado no grupo de WhatsApp dos prefeitos.

 

Para o presidente da Assomasul, o alerta aos gestores públicos municipais é importante em decorrência do que pode ocorrer no futuro.

 

“É importante que vocês façam uma análise com seus secretários de Fazenda, vejam aquilo que pode ser feito e aquilo que estava programado deve ser cortado, já preocupado com essa situação financeira que está por vir”, advertiu ele, referindo-se mais uma vez a queda da arrecadação.

 

PLANO EMERGENCIAL

 

Por causa disso, a CNM (Confederação Nacional de Municípios), da qual Caravina faz parte do Conselho Político, propôs um plano emergencial para atender às cidades.

 

No total, são 17 ações que os prefeitos de todo o país querem que sejam adotadas para garantir a sustentabilidade econômica das cidades e para que a resposta aos casos da Covid-19 seja ágil.

 

Entre as medidas, os prefeitos querem que os repasses do FPM sejam, no mínimo, iguais aos registrados em 2019.

 

“Para prevenir a paralisação das medidas de atendimento à população brasileira executadas pelos municípios, é fundamental dar o mínimo de segurança aos gestores, estabelecendo repasse financeiro extraordinário, sempre que o total mensal do FPM for inferior ao de igual período do ano de 2019”, informa a CNM no documento.

 

Outro pleito é que as dívidas previdenciárias dos municípios que possuem regimes próprios sejam suspensas por 120 dias. “Após esse período, sugere-se o parcelamento desses quatro meses, diluindo os valores em prestações futuras”, acrescenta a CNM.