Em gestão doente, mosquito que mata reaparece

Epidemia de dengue é mais um buraco no vazio administrativo da era Marquinhos Trad Por em março 11, 2019 6:51 pm , Categorias: Categorias: Categorias: Categorias:

 

 

De 2013 a 2016 Campo Grande sofreu um dos mais longos retrocessos em seu processo de crescimento. Foram quatro anos de atraso, tamanha a estagnação que fez a cidade perder o compasso progressista que a identificava historicamente. E quando se acreditava que a novela gerencialmente trágica de Alcides Bernal e Gilmar Olarte (PP) fosse ficar no passado, novos capítulos são acrescentados por seu sucessor para dar-lhe continuidade.

 

O caos no sistema público municipal de saúde é um demonstrativo dos mais eloquentes desse enredo. Sucessivas trapalhadas denunciam a incompetência ou a inaptidão dos gestores, que têm à frente o responsável pela escalação do time, o prefeito Marquinhos Trad (PSD). Uma das confusões inadmissíveis foi o atendimento a duas pacientes com o mesmo nome numa unidade de saúde. Por pouco não houve uma troca de procedimentos que poderia resultar em desfechos imprevisíveis.

 

DESLIZE

 

O pior, no entanto, é a deficiência das práticas de prevenção. Por causa desse deslize, a dengue se reanimou e depois de 10 anos voltou à cena o tipo hemorrágico, mais letal que a doença comum. O prefeito já reconheceu que há uma epidemia. Até o início da semana passada, haviam 6.027 casos confirmados. O sorotipo 2, associado historicamente a mais casos de dengue hemorrágica, voltou a circular.

 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), o vírus não atuava no município desde 2009. Veruska Lahdo, superintendente de Vigilância, informou ao site Campo Grande News que amostras isoladas da doença indicam a presença do sorotipo 2, manifestação mais grave e agressiva da doença quando comparado com outros três sorotipos (sorotipo 1, sorotipo 3 e sorotipo 4).

 

“A população tem uma falsa ideia de que quem já pegou dengue, não pega mais. Isso não é verdade. Pelo contrário, a atenção deve ser redobrada”, explica. “Os sorotipos que mais atuavam no município em anos anteriores eram o 1 e 3”, disse ela. As epidemias de dengue, conforme Veruska, seguem um padrão de ocorrência, que acontecem a cada 3 anos. A última registrada no município foi em 2016 com 32.964 casos. É considerado epidemia quando a doença ataca, ao mesmo tempo, grande número de moradores em diversos bairros.

 

CARGA MÁXIMA

 

A força-tarefa montada pela Sesau mobiliza uma legião de profissionais, entre médicos, assistentes e outros recrutados para a emergência. Nas ruas, edifícios, terrenos baldios, obras e imóveis abandonados, o combate ao mosquito aedes aegypti é intenso. A impressão que se tem é que, além da urgência operacional de profilaxia, o poder público empenha-se também para descontar o atraso em operações intensas que deveriam estar acontecendo há mais tempo.

 

O fumacê, por exemplo, passou de 3 para 9 equipamentos em operação, sendo percorridos atualmente 600 quarteirões/dia. “A gente não faz nada sozinho. Precisamos do apoio da população. Os locais com mais focos do mosquito Aedes aegypti são as regiões dos Bairros Lageado, Moreninha, Noroeste, Alves Pereira, Universitário, Cidade Morena, Jardim Veraneio, Lagoa Itatiaia, Jardim Paradiso, Vida Nova, Amambaí, Autonomista, Estrela Dalva, Maria Aparecida Pedrossian, Tiradentes, Cohab, Jockey Club e Sírio Libanês”.

 

Os 6.027 casos notificados desde janeiro representam 111% a mais que em 2018. Naquele ano, foram registrados 2.847 casos. Com 294 notificações por cada 100 mil habitantes, Campo Grande está tecnicamente no último passo para uma epidemia de dengue, que se oficializa quando a incidência chega a 300 casos por cada grupo de 100 mil habitantes.

 

Em coletiva à imprensa, ao lado do secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, o prefeito Marquinhos Trad acusou a gravidade da situação. “Nós estamos em alerta, tomando todas as medidas preventivas necessárias. Ainda não podemos dizer que estamos em epidemia, mas diante desse aumento [de notificações] nós precisamos nos preparar. Por isso determinamos que seja disponibilizado um reforço de profissionais, em especial médicos, que irão atuar dentro dos critérios técnicos de identificação da doença de maneira a dar mais celeridade e garantir atendimento aos pacientes que procuram estas unidades de saúde”, disse.

 

Um ancião em Três Lagoas já teve o laudo de óbito atestando que a causa mortis foi a dengue. As autoridades campo-grandenses estavam aguardando a declaração de óbito de Sidney dos Reis Nantes, de cinco anos, que morreu na segunda-feira passada, 25, no Hospital Universitário. Há forte suspeita de que tenha sido outra vítima fatal da doença causada pela picada do mosquito aedes aegypti.