Projeto busca acolher refugiados por meio da Língua Portuguesa

Estudo pretende contribuir para a integração social de migrantes no município fronteiriço Por em dezembro 5, 2018 7:23 pm , Categorias: Categorias: Categorias: Categorias:

 

 

A situação dos refugiados no município de Corumbá é tema de um projeto de pesquisa desenvolvido pelo campus do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). O estudo prevê o levantamento estatístico dos migrantes – a partir da quantificação e identificação de acordo com sexo, idade, origem e proteção almejada – e a oferta de um curso de Língua Portuguesa.

 

A coordenadora da pesquisa e professora de Língua Portuguesa, Renilce Barbosa, explica que o objetivo é contribuir para a integração social de refugiados em Corumbá – município que se situa na fronteira do Brasil com a Bolívia – por meio do estudo da relação entre sujeito, história e língua, fomentando e ampliando as políticas públicas de ensino da Língua Portuguesa como mecanismo de acolhimento.

 

“Vivemos uma profunda crise humanitária mundial. Entre fevereiro e julho deste ano, mais de 1,3 mil haitianos entraram no Brasil por Corumbá. Desses, muitos na condição de refugiados, termo que nomeia pessoas que são forçadas a migrar por enfrentar em sua terra natal problemas caracterizados como de natureza humanitária”, pontuou Renilce.

 

A professora complementa que, diante desse cenário, foi feito um recorte para a proposta de estudo. “A questão da Língua Portuguesa é constitutiva no processo de acolhida de migrantes e refugiados no contexto corumbaense, e o estudo bifurca tanto para linguística quanto para outras ciências sociais e aplicadas”, explicou.

 

Também integram o projeto os professores Flávia Souza, Fernanda Ferreira, Jeannette Pereyra, José Augusto Rabelo, Marcelo Garcia e Rosalice Santiago, todos do Campus Corumbá do IFMS.

 

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

 

O projeto possui três estudantes bolsistas e dois voluntários, tendo sido contemplado pelo edital nº 027/2018, destinado à seleção de projetos de pesquisa e indicação de estudantes de iniciação científica e tecnológica. As atividades estão previstas para ocorrer até junho de 2019.

 

A estudante Narjara Catherine Aréco é uma das bolsistas. “Nosso projeto visa não só ajudar os refugiados com os aspectos básicos, mas também contribuir com a linguagem. Para eles é tudo novo, uma cultura nova. Assim, uma das nossas funções é fazer com que eles se sintam acolhidos por meio da língua”.

 

Para o desenvolvimento das atividades do projeto, os estudantes fazem a leitura orientada de textos sobre o assunto, organizam e sistematizam a pesquisa a campo, e elaboram e aplicam questionários junto aos refugiados.

 

O acompanhamento dos bolsistas é feito durante encontros semanais, onde são discutidos os textos sobre os conceitos que norteiam a pesquisa, como imigrantes, refugiados, língua de acolhimento e identidade.

 

Também está prevista a realização de um curso de Língua Portuguesa ao público-alvo do projeto. “Esse curso será ministrado nas instalações do IFMS em Corumbá, numa relação colaborativa entre professores e alunos da instituição com o intuito de oportunizar o protagonismo juvenil”, explicou o professor José Augusto.

 

RECONHECIMENTO

 

O projeto de pesquisa intitulado ‘Em questão: língua de acolhimento – Português para refugiados no contexto corumbaense’, foi premiado na edição 2018 da Feira de Ciência e Tecnologia do Pantanal (Fecipan), realizada no mês de outubro, em Corumbá.

 

No evento, a pesquisa recebeu três prêmios: melhor banner, melhor relatório e melhor projeto do ensino médio 2018. O trabalho também foi credenciado para participar da edição 2019 da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), promovida pela Universidade de São Paulo (USP), que ocorrerá no mês de março na capital paulista.

 

Além da participação na Fecipan, um minicurso sobre o tema foi ministrado na Semana de Ciência e Tecnologia do IFMS. “Por meio de dinâmicas e palestras, procuramos mostrar aos participantes como é ser um refugiado no Brasil e as dificuldades que enfrentam no dia a dia”, comentou a estudante bolsista.