“Não abro mão de fiscalizar e reivindicar”

Carlão Borges: “A união entre governos e Câmara tem sido benéfica, basta vermos os avanços na cidade”

 

* Por Geraldo Silva

 

Um dos mais experientes e carimbados nomes do movimento comunitário em Mato Grosso do Sul, Carlão Borges (PSB) cumpre seu terceiro mandato de vereador e é o 1º secretário da Câmara Municipal. Sua capacidade de dialogar, a sensibilidade social e a disposição para o trabalho o consolidaram entre as principais lideranças políticas de Campo Grande, uma cidade que tem avançado expressivamente, segundo sua opinião, em virtude das ações articuladas entre o Legislativo e os Executivos municipal e estadual.

 

Natural de Pedro Gomes e morador da Capital desde fins dos anos 1970, Carlão orgulha-se da história que construiu a partir dos mais de 30 anos que viveu residindo no Jardim Campo Verde (antigo corredor do Nova Lima), liderando movimentos populares. Um dos precursores da luta em favor do desfavelamento, casado, três filhos, ele saiu da presidência da Associação de Moradores do Campo Verde para erguer uma trajetória de destacado protagonismo social, político e profissional.

 

Antes de ser vereador e empreendedor, o líder que galgou os mais altos degraus do movimento comunitário ingressou no serviço público, no qual exerceu funções de realce, como a chefia do Núcleo de Urbanismo da Empresa Municipal de Habitação (Emha) e secretário-adjunto da área. Com suas ideias e proposições, a capital conquistou em seus mandatos inúmeros benefícios em obras e serviços, sobretudo na estruturação e humanização da expansão demográfica, infraestrutura urbana e melhoria da qualidade nos serviços públicos.

 

FOLHA DE CAMPO GRANDE – O senhor começou a ter projeção como líder comunitário e nos anos 1990 chefiando o núcleo de urbanismo da Emha,  até sua primeira eleição, em 2008. O acúmulo de experiências e três mandatos de vereador fazem pensar em voos eleitorais mais altos?

VEREADOR CARLÃO – Essa experiência na luta comunitária em favor da habitação, moradias sociais e do desfavelamento me possibilitou uma visão das reais necessidades da população, especialmente dos moradores das periferias. Em meu exercício como legislador, percebo que minhas ações impactam o dia-a-dia da população. Nesse sentido, me realizo atuando como vereador, sendo o representante do Poder Legislativo mais próximo da população. Não digo que não cogito disputar outros cargos, mas minha intenção atual é buscar a reeleição. Caso a população me escolha para representá-la novamente na Câmara da Capital.

 

FCG – A forte parceria com a Prefeitura e o apoio maciço ao prefeito Marquinhos Trad não prejudicam o papel da Câmara na fiscalização dos atos do Executivo? Por quê?

VC – Sempre digo que quando juntamos forças, conseguimos ir além. No caso de Campo Grande, essa união de esforços, entre o Executivo Municipal e o próprio Executivo Estadual juntamente com a Câmara, tem sido benéfica, basta vermos os avanços na cidade. Saímos daquela situação de quatro anos de estagnação. Sou parceiro do prefeito Marquinhos Trad nas questões de interesse da Capital, na aprovação de projetos que garantam conquistas para Campo Grande. Não abro mão do papel de fiscalizar e reivindicar. Cobrar melhorias na prestação de serviços e a resolução em problemas. Uso a tribuna para apontar os erros e cobrar melhorias, como na questão da saúde da cidade.

 

FCG – O senhor foi eleito quando a Câmara tinha 21 vereadores. Agora são 29. É suficiente ou será preciso mais para uma cidade que está chegando a um milhão de habitantes?

VC – Acredito que 29 vereadores são suficientes para legislar em favor da população da Capital.

 

FCG – Citando erros e acertos, qual sua avaliação sobre o desempenho do prefeito Marquinhos Trad?

VC – O prefeito Marquinhos Trad tem trabalhado, tem se empenhado para trazer desenvolvimento a nossa cidade e garantir qualidade de vida para nossa população. Mesmo em um período de crise, na infraestrutura temos obras que há mais de 30 anos aguardávamos, como a pavimentação do Nova Lima, Anache, José Tavares, Parque Iguatemi, entre outros. Bandeiras que defendo desde os anos 80. Reformas dos Parques Ecológicos do Sóter, Parque Ayrton Senna, entre outros. A Clínica da Família do Nova Lima, Emeis, Postos de Saúde. Entrega de casas populares, a retomada da distribuição de lotes com incentivos para construção. Mas é claro que temos problemas, como é o caso da saúde. Não se faz saúde sem dinheiro, precisamos de mais leitos e essa demanda tem que ser atendida. Em minha avaliação, o prefeito tem se empenhado e está conseguindo governar a cidade com olhos para o amanhã e para a população.

 

 FCG – Da mesma forma, como avalia o desempenho do governo de Reinaldo Azambuja, em seu segundo mandato e com cinco anos de gestão? O senhor daria alguma nota para ele numa escala de 1 a 10?

VC – Em gestão pública há muita diferença entre o que se gostaria de fazer e o que dá pra fazer. O governo do Reinaldo Azambuja fez um primeiro mandato de avanços e a prova disso foi sua reeleição. Neste momento do país, em que vários estados estão quebrados e não conseguem nem pagar seu funcionalismo, temos um Estado organizado e estabilizado. Diria que o Governo está acima da média nacional, tendo em vista que mesmo em meio as dificuldades continua entregando obras e pagando as contas.

FCG – O governo do presidente Jair Bolsonaro está correspondendo a expectativa, é frustrante ou ainda é cedo para avaliar?

VC – Acho cedo para avaliar, mas vejo que no que tange a política econômica estamos no caminho certo. Mas o presidente precisa falar menos. Parar de atrapalhar seu próprio governo.

 

FCG – O PSB é um partido nacional e, em tese, sendo um dos que mais cresceram, deveria lançar candidatos majoritários nas Capitais e principais cidades. Há possibilidades de isso ocorrer em Campo Grande ou o partido apoiará a candidatura do prefeito à reeleição?

VC – O Ricardo Ayache é um expoente da política do nosso Estado. Poderia tranquilamente disputar qualquer cadeira, mas estamos construindo uma parceria à reeleição do prefeito Marquinhos Trad. O partido está se reorganizando e se fortalecendo para apresentar chapas fortes e com chances reais de eleição de vereadores e prefeitos em mais de 30 municípios.

 

FCG – Porque a pressão política e popular para cobrar da Energisa os direitos devidos aos consumidores não apresenta resultados concretos?

VC – A concessionária não respeita nossa população, são recordistas em reclamações no Procon. Quando a Câmara convoca representantes dificilmente comparece. Temos cobrado para que ofereça os serviços com qualidade aos campo-grandenses, mas trata-se de uma concessão estadual. A Assembleia é o órgão competente para fazer essa fiscalização, além dos órgãos de regulação. A Câmara tem buscado soluções criando até uma Comissão Especial.

 

FCG – Quais as demandas principais e mais urgentes da Capital que ainda precisam ser solucionadas ou melhor atendidas pelo poder público?

VC – A saúde é nosso calcanhar de Aquiles, mas acredito que o Ministro Mandetta vai garantir mais recursos para nossa cidade. Volto a dizer: saúde não se faz sem dinheiro. O que precisamos é a abertura de leitos de urgência e a ampliação dos atendimentos eletivos. Tenho cobrado a melhoria da saúde e, para isso, fiz algumas leis, como a que garantiu a emissão de exames online e a carteira de vacinação online por parte da Rede Pública. Outra lei minha que precisa ser atendida prevê a divulgação das listas de pacientes que aguardam por consultas com especialistas, exames e cirurgias na Rede Pública do Município de Campo Grande/MS.

 

FCG – Diante do quadro político e governamental do Brasil e de Campo Grande, quais são suas expectativas para 2020?

VC – Sou um otimista. Acredito que em 2020 vamos continuar avançando e que com a força do trabalho de todos os brasileiros vamos crescer e superar a crise. 2020 é ano eleitoral e confio que a população possa escolher bem seus representantes para o Executivo e o Legislativo municipal. Meu trabalho e empenho permanecerão firmes na busca de uma vida melhor para todos os campo-grandenses.

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