Combustíveis e energia continuam na perversa ciranda de aumentos

No “Brasil acima de tudo”, Petrobras e Aneel atuam contra a economia popular

O lema “Brasil acima de tudo”, adotado pelo presidente Jair Bolsonaro para servir como indicador conceitual de gestão, já caiu por terra, derrubado pelo proibitivo custo de vida. O Brasil, por meio de seu povo, os brasileiros, nunca esteve acima da vontade deste governo, que abriga, entre outros mecanismos de poder, uma Petrobras ancorada no colo dos humores internacionais do dólar e uma Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) associada aos interesses de quem lucra com a exploração dos serviços de abastecimento.

Por isso quem paga o preço é o consumidor. Na segunda-feira (25), a Petrobras anunciou o aumento de 7% no preço da gasolina e de 9,15% no diesel nas refinarias. O preço médio do litro de gasolina passou de R$ 2,98 para R$ 3,19, reajuste médio de R$ 0,21 por litro. No último dia 9 a gasolina já havia subido 7,2%. Já o litro do diesel passou de R$ 3,06 para R$ 3,34, refletindo reajuste médio de R$ 0,28 por litro.

A última alta do óleo diesel havia ocorrido em 28 de setembro, 8,89%. Com os aumentos, no acumulado do ano, a gasolina subiu 73,4% e o diesel, 65,3%. Diante da disparada no preço do diesel, os caminhoneiros fazem convocação de greve da categoria para 1º de novembro. Os novos aumentos, divulgados pela Petrobras, foram antecipados por Bolsonaro no domingo (24).

“Infelizmente, pelos números do preço do petróleo lá fora e do dólar aqui dentro nos próximos dias, a partir de amanhã, infelizmente teremos reajuste do combustível”, disse Bolsonaro, mais uma vez agindo como se seu governo não tivesse responsabilidade com a explosão de preços, a economia paralisada, a fuga de dólares, inflação galopante e desemprego elevado. A explicação para os aumentos está relacionada, principalmente, à opção do governo em manter os produtos produzidos pela Petrobras atrelados ao dólar e ao petróleo internacional.

APAGÃO

O encarecimento excessivo dos custos domésticos com o consumo de energia elétrica é outro fator que atua como impulso inflacionário e no gritante apagão do poder aquisitivo. Em 2021, o valor das tarifas já acumula uma alta de 24,97%, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O aumento está relacionado principalmente com a maior crise hídrica enfrentada pelo país em mais de 90 anos, ao desastroso desempenho da política econômica do Planalto e ao papel ambíguo da reguladora do setor, a Aneel.

O preço da energia faz parte do chamado grupo Habitação. Este grupo sofreu o maior impacto individual na prévia da inflação, de 0,19 ponto porcentual, de acordo com o instituto. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial no país, acelerou 0,87% em agosto, após ficar em 0,96% em julho, o maior resultado para o mês desde o ano 2000 (1,31%). A inflação foi puxada pela alta no preço de oito dos nove segmentos analisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre eles o de habitação, por causa do aumento de 1,1% no preço da energia elétrica.

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