Consumidor III: Contas de luz devem impulsionar a inadimplência

Renegociação de débitos de energia elétrica em Campo Grande

Um outro efeito que pode ser esperado com o choque de preços das contas de luz é um aumento da inadimplência. Até abril, o total de brasileiros com contas em atraso chegou a 63 milhões, aumento de 0,7% em relação a março. O total de endividados é o maior desde agosto de 2020, com 39,5% da população adulta nesta situação, segundo dados da Serasa Experian.

O setor de “utilities” (expressão em inglês para serviços públicos), que inclui as contas de água, luz e gás, representava em abril deste ano 22,7% do total de dívidas em atraso, comparado a participação de 21,8% em abril de 2020 e 20,1% em igual mês de 2019, antes da pandemia. De acordo com a Serasa, a inadimplência em contas básicas representa 22,3% do total de débitos em maio.

TENDÊNCIAS

O economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, avalia que a redução do auxílio emergencial em 2021 e o alto número de desempregados são alguns dos fatores que pesam para essa tendência de alta da inadimplência, que deve continuar nos próximos meses. “Além desses pontos, os aumentos das taxas de juros e da inflação comprometeram a renda da população. As pessoas tiveram que priorizar os pagamentos, o que acabou deixando pendências pelo caminho”, comentou, em comunicado.

O economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, explica que, como as tarifas de energia elétrica têm peso considerável (4,2%) no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação deve aumentar ainda mais, o que pode ser um freio para a recuperação econômica.

Eduardo Amendola, economista e professor da Estácio, acrescenta ainda que, como o Banco Central tem o compromisso de manter a inflação no intervalo alvo (atualmente entre 2,25% à 5,25%) e o mercado estima um IPCA de 6,7%, possivelmente teremos uma continuidade no ciclo de elevação dos juros básicos, a taxa Selic.

“Um dos efeitos perversos a respeito da elevação no custo da energia é uma possível pressão sobre os juros básicos. E se não há restrição ao crescimento econômico por escassez de energia como aconteceu em 2001, haverá um golpe contra a recuperação econômica por conta dos juros maiores”, opina Amendola.

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