Criminosos da indústria da mentira agem impunemente no Brasil

Desmentidos a toda hora, bandos da “fake news” seguem vitaminando o bolsonarismo

O Brasil está hoje entre as nações mais férteis na produção e disseminação de notícias falsas, as indefectíveis fake news. Não começou com ele, mas foi a partir da campanha presidencial de Jair Bolsonaro que essa prática, criminosa e malsã, passou a fazer parte do cotidiano nacional. O bolsonarismo se alimenta da contrainformação para atingir dois objetivos centrais: desqualificar os opositores ou críticos e consolidar suas teses e comportamentos.

Enquanto as autoridades não combatem esta doença com eficácia e rigor, seus praticantes agem abertamente e fazem das redes sociais o principal meio de divulgação, notadamente no Facebook, Twitter e Instagram. Para contra-atacar a mentira e estabelecer a verdade dos fatos corrompidos pelas fake news, além dos órgãos de imprensa foram criados vários mecanismos e espaços na Internet com desmentidos e informações corretas sobre o que se publicou.

Um desses mecanismos, o ‘Projeto Comprova’, reúne jornalistas de 33 veículos de comunicação que investigam informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas sobre políticas públicas, eleições e a pandemia de Covid-19, compartilhadas nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Apuram também a desinformação envolvendo possíveis candidatos à presidência da República. O ‘Comprova’ é uma iniciativa sem fins lucrativos

NA INTERNET

Desde quando Bolsonaro assumiu a presidência o que não falta na Internet é informação falsa dando conta de malfeitos de governos anteriores. Uma das mais recentes afirma que auditoria determinada por Bolsonaro “descobriu” que 1.200 tratores seriam doados por Dilma Rousseff a comunistas africanos e não conseguiu. E a presidente decidiu então doar os tratores a produtores rurais do Nordeste.

A informação, analisada pelo site ‘A Lupa’, é falsa. Não há referências na imprensa sobre doações de máquinas agrícolas para a África durante o governo de Dilma. A assessoria da ex-presidente informou que o seu governo nunca comprou tratores para esse fim. Não existem, também, menções a uma suposta auditoria no governo de Bolsonaro com esse assunto.

Os tratores filmados são da marca XCMG Brasil Indústria. De acordo com o Portal da Transparência, o primeiro contrato estabelecido com a empresa foi em novembro de 2016, quando Dilma não era mais presidente. O contrato é sobre a aquisição de uma pá carregadeira pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Checagem no Diário Oficial da União (DOU) não identificou registros de aquisição de máquinas da marca pelo governo federal entre os anos de 2011 e 2016.

Outra fake news que ainda circula nas redes dá a notícia que consagrados jogadores de futebol – entre os quais Mohamed Salah (Liverpool), Immobile (Lazio) e Ibrahimovic (Milan) – teriam feito declarações elogiosas a Bolsonaro e dedicando seus gols ao presidente. Na publicação com o egípcio Mohamed Salah, é atribuída ao atacante uma frase, falsa, enaltecendo Bolsonaro após supostamente ter ouvido boas referências de brasileiros companheiros de clube. Além desses atletas, a imprensa europeia desmente tais informações.

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