Duas ameaças: um vírus mortal e quem não acredita nele

Bares cheios e quase nenhuma preocupação de donos e frequentadores com a prevenção

Com mais de 6,2 mil casos confirmados e 57 óbitos (dados até terça-feira, 23), Mato Grosso do Sul ingressou no grupo das unidades federativas brasileiras mais afetadas pelo Covid-19. Os números que deixam as autoridades sanitárias apreensivas no Estado não param de subir, indicando que o pico de contaminações pode estar para acontecer, até porque os protocolos de segurança continuam ignorados pela maioria da população.
As taxas de distanciamento social se mantiveram praticamente nulas em Mato Grosso do Sul. Na terça-feira (23) o índice de isolamento foi de 26,7%, a média do mês, muito aquém do mínimo de segurança recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é de 70%. O isolamento social é praticamente inexistente se comparar com os índices mapeados pela In Loco em fevereiro, antes da confirmação dos primeiros casos de Covid-19 no Estado.

Para se ter uma ideia, no feriado de carnaval com a mobilidade liberada, o índice da terça foi de 43% e da quarta-feira de cinzas ficou em 36%, ou seja, embora haja medidas restritivas de mobilidade, o comportamento da sociedade tem sido de dias comuns sem a circulação de um vírus altamente contagioso e letal. Os números expressivos podem ser atribuídos à movimentação do feriado de Corpus Christi, levando em conta o período de incubação do vírus no organismo, que pode ser de até 14 dias conforme a ciência.

Mas o ambiente de normalidade configurado na maciça circulação de gente pelas ruas, estabelecimentos comerciais, bares, residências e outros locais confirma que se o poder público faz a sua parte, a sociedade anda na contramão. Os dados da Secretaria Estadual de Saúde mostram o avanço acelerado da doença. “Há mais de 20 dias estamos verificando crescimento exponencial. É fruto da insensibilidade de parte significativa da população”, declarou o secretário Geraldo Resende.

O secretário Geraldo Resende: contrariado com a falta de colaboração da sociedade

BAIXA ADESÃO

É gravíssimo o quadro. E pode ficar pior, se a sociedade não mudar de atitude e passar a cumprir os cuidados preventivos fundamentais, entre os quais a permanência em casa, no isolamento, uso de máscaras e demais procedimentos de higiene e limpeza. Até agora, o que se tem praticamente nos 79 municípios são os mais diversos cenários de aglomeração.

Campo Grande, a capital, com cerca de 900 mil moradores, é um retrato nu e cru da irresponsabilidade. De domingo a domingo há muita gente circulando e se tocando nas ruas, academias, clubes, bares, supermercados, lojas, pontos de ônibus, lotéricas, conveniências e demais espaços de encontro. Campo Grande ocupa a 25° colocação com índice de isolamento social de 36,1%.

O comportamento da população nas cidades com maior número de casos no Estado não é diferente, e as taxas não passam dos 42%, quando a recomendação mínima da SES é de 60%. Nas dez cidades com mais positivos para a doença, as taxas para o dia (terça-feira, 23) foram: Dourados (39,3%); Guia Lopes da Laguna (33,9%); Três Lagoas (37,4%); Corumbá (38,9%); Fátima do Sul (41,3%); Rio Brilhante (33,9%); Chapadão do Sul (39,1%); Paranaíba (37,4%); Itaporã (35,2%); e Douradina (41,9%).

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