Evolução da doença pode trazer ameaça de colapso no sistema

O prefeito Marquinhos Trad: medidas de restrição mais rigorosas na capital

Embora ainda esteja fora de cogitação, o risco de um colapso na rede pública de atendimento é uma possibilidade concreta. As autoridades sanitárias andam receosas, já que a população continua dando as costas ao problema, apesar de todas as informações dando conta da gravidade da situação.

Na Capital, os reflexos já são bem visíveis. A taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) globais de Campo Grande já havia alcançado no início da semana a marca de 71% do total, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde. Este é um dos indicadores analisados pelo COE (Comitê Municipal de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19) para avaliar a adoção ou não de medidas mais restritivas para conter o avanço do novo coronavírus.

ALERTA

No caso, o sinal de alerta acende-se quando se alcança o índice de 80% de ocupações globais de leitos de UTI – o que está próximo. Vale lembrar que além da variável da taxa de ocupação, a velocidade do crescimento do número de confirmações também é considerada. Porém, esta é a direção para qual caminha Campo Grande, que contabilizou na terça-feira 1.341 confirmações, dos quais 897 já estavam curados, mas 53 seguiam internados.

O número de internações é bem menor que os 383 pacientes em isolamento domiciliar por não apresentarem sintomas graves da Covid-19, mas não há dúvidas de que a doença está em franca expansão na Capital. Além disso, há 745 casos suspeitos, que aguardam resultado laboratorial.

Além dos pacientes de Covid-19 da própria cidade, vale lembrar que Campo Grande também é sede de macrorregião sanitária. Ou seja: a estrutura hospitalar da cidade atende os demais municípios da mesma área que não dispõem de UTI. Como São Gabriel do Oeste, cidade a cerca de 130 km de Campo Grande, que tem três pacientes de Covid-19 em leitos de UTI do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul).

Na Capital, são 212 leitos de UTI públicos, dos quais 97 disponíveis para Covid-19 e 20 deles estavam ocupados com pacientes já diagnosticados. Do total global, 60% deles estão com pacientes que sofrem de outras enfermidades. A maior parte dos leitos de UTI públicos de Campo Grande está no HRMS, que dispõe de 73 unidades de terapia intensiva. Na sequência, vem o Hospital Universitário da UFMS, com 14 leitos de UTI. Por fim, há 10 leitos na Santa Casa de Campo Grande.

MAIOR RIGOR

Desde o final da semana passada o toque de recolher voltou a ser adotado na cidade. Além disto, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) determinou que as fiscalizações noturnas sejam reforçadas. Ele informou que a decisão foi tomada para não prejudicar todos os comerciantes noturnos.

“O que nós decidimos fazer é intensificar em cima daqueles que a gente já sabe que não estão obedecendo”. O número de equipes de fiscalização foi ampliado. “Então, tomem cuidado! Dobramos o número de fiscais nas ruas, principalmente nesses bares, lanchonetes e conveniências que a grande maioria da nossa população já sabe que estão abusando”, advertiu.

O toque de recolher também está na grade operacional de combate ao Covid-19, com efeito das 22h até às 05h da manhã. O horário de início do toque foi prorrogado a pedido do setor comercial. Marquinhos reclama que os comerciantes não souberam usar e ele se viu instado a ouvir “89% da população que aplaudem o toque de recolher a partir da 22 horas”. O toque é válido em todos os dias da semana. “Talvez, assim, as pessoas que vivem da noite comecem a ter consciência e respeitar aqueles que cumprem os regramentos e princípios da nossa cidade”, espera Marquinhos.

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