Maior investimento por habitante no País é em Mato Grosso do Sul

Gestão estratégica e reformas estruturantes explicam o resultado, segundo Reinaldo Azambuja

Com desembolsos do governo estadual na ordem de R$ 1,016 bilhão em 2019, Mato Grosso do Sul é hoje o Estado com mais investimentos públicos per capita no País. Os dados constam do relatório que o Tesouro Nacional divulgou no Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais em novembro último. Com obras nos 79 municípios, esse valor global equivale a um investimento superior a R$ 360 por habitante, 41% mais do que o Espírito Santo, o segundo colocado.

Para o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), esses resultados se explicam com as metas que vêm sendo alcançadas pela gestão estratégica e três reformas estruturantes: a administrativa, que reduziu de 17 para nove as secretarias; a previdenciária, iniciada em 2017 e consolidada no ano passado; e a implantação de um teto de gastos para todos os poderes. O governador destaca que de 2016 a 2019, em quatro anos o Estado investiu R$ 4,115 bilhões. “Nossa média de investimento per capita, com R$ 365,60, é bem superior à do Espírito Santo, com R$ 257,80”, salientou.

FATORES DECISIVOS

Na opinião do secretário Jaime Verruck, de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, investimentos públicos e privados são fatores importantes no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). “E quando caminham juntos, impulsionam a geração de empregos e renda. Por isso, está claro que o investimento público é fundamental para dar essa competitividade”, analisa.

É o caso do acesso ao frigorífico para que ele consiga exportar. A perspectiva do Estado é de, em 2020 e 2021, aplicar com o Fundersul R$ 2 bilhões de investimentos em pontes, novas estradas e acessos a rodovias. “São investimentos possíveis, dado o equilíbrio fiscal do Estado”, disse. Além das obras com recursos estaduais, o governo tem feito parcerias com a iniciativa privada para levar melhorias para a população, como a concessão da rodovia MS-306 e a Parceria Público-Privada (PPP) de esgotamento sanitário.

“É uma ação do poder público, um mecanismo de investimento, sem privatização, para ter capital privado em obras públicas”, lembra Verruck. Além da concessão da MS-306 e do leilão da Sanesul, o governo estuda dentro do Programa Estadual de Parcerias a PPP de Infovia Digital, a desestatização da empresa MSGÁS e concessões de parques estaduais. O economista Paulo Salvatore Ponzini destaca que as entregas do Estado ajudam a criar um ambiente favorável de negócios para atração de empresas.

LOGÍSTICA E TRANSPORTE

O Estado investe fortemente em infraestrutura neste governo. Para o CEO da Cervejaria Bamboa, Márcio Mendes, as rodovias em boas condições fazem muita diferença no transporte dos produtos aos clientes do Brasil e do exterior. “Estamos presentes em 15 estados do Brasil e três países da América Latina. Para o segmento de bebidas boas rodovias são essenciais para escoar os produtos”, explica. A empresa possui 250 funcionários em Mato Grosso do Sul.

Atraída pela política de incentivos fiscais e pela localização geográfica, a empresa RCM, que hoje produz 100 toneladas por mês de perfis de alumínio para esquadrias, se instalou há cerca de dois anos em Selvíria, na região do Bolsão sul-mato-grossense, e hoje conta com 30 funcionários. Outros fatores de estímulo e fortalecimento da economia refletem o cenário de crescimento.

Um desses fatores é a Rota Bioceânica, que por hidrovia e rodovia, inicialmente, vai encurtar o acesso do Brasil ao Oceano Pacífico, saindo de Porto Murtinho e entrando no Paraguai, atravessando Argentina e Peru até chegar ao Chile. Os portos chilenos de Arica e Iquique estão na saída para o mar, na rota para grandes parceiros comerciais de outros continentes, como a Ásia.

A Rota Bioceânica reduzirá em 17 dias o transporte dos produtos ao mercado asiático, destino de metade das exportações do Estado. Porto Murtinho será nos próximos anos uma grande base logística da América do Sul. Um dos principais projetos da Rota é a ponte sobre o Rio Paraguai entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, a ser construída com recursos da Itaipu Binacional Paraguay ao custo de US$ 75 milhões, começando em 2021 e sendo concluída em 2023.

Os governos estadual e federal já estruturam Porto Murtinho. Com R$ 25,2 milhões de recursos do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento Rodoviário de Mato Grosso do Sul), está sendo pavimentado o acesso à região portuária, onde já existem dois portos em operação. Outros dois serão construídos por empresas argentinas. Outro projeto de destaque é sobre trilhos: o Corredor Oeste de Exportação/Nova Ferroeste, com 1.370 km, ligando Mato Grosso do Sul ao Porto de Paranaguá.

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