Miranda ameaça explodir a República ao saber de ação para cassá-lo

O ministro da CGU, Wagner Rosário: informação inexistente

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que denunciou à CPI da Covid um esquema de corrupção envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin, ameaçou “explodir a República” em função de uma ação apresentada pelo presidente nacional do PTB, o bolsonarista Roberto Jefferson, para que o parlamentar perca o mandato.

“Tomei conhecimento agora da representação que o PTB entrou contra mim no Conselho de Ética da Câmara. Se de fato for pra frente, na primeira sessão as provas que o Brasil inteiro quer que eu apresente serão entregues na sessão e, me desculpe, mas 2022 vai ser bem diferente. Só isso que eu tenho pra dizer”, disse Miranda ao Metrópoles.

“Já que o ‘Bob’ quer explodir a República, então que ele o faça, porque até agora eu só falei a verdade e tentei minimizar os danos. Se eles querem aumentar o tom, vamos aumentar o tom, eu não tenho dificuldade nenhuma em aumentar o tom”, completou o parlamentar, conforme a reportagem. A representação contra Miranda foi protocolada na noite de terça-feira (29).

Na ação, Roberto Jefferson pede que o presidente da Câmara, Arthur Lira, encaminhe o caso ao Conselho de Ética da Casa sob a alegação de que o democrata teria se utilizado “da periclitante circunstância da pandemia mundial da Covid-19 a fim de criar uma narrativa com o único objetivo de prejudicar o presidente da República”.

CGU DESMENTE

Após declarar que existe supernotificação das mortes pela Covid-19 no Brasil, com base em um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), Jair Bolsonaro foi desmentido pela corte. Mas insistiu no negacionismo e anunciou que ia pedir à Controladoria-Geral da União (CGU) que investigasse o assunto.

O gabinete do ministro da CGU, Wagner Rosário, informou: “Não há documento por meio do qual o presidente Bolsonaro tenha solicitado, a esta CGU, a realização de investigação sobre suposta supernotificação de mortes causadas pela Covid-19. Trata-se, portanto, de informação inexistente”.

O “estudo paralelo” distorcendo o número de mortes pela doença foi elaborado pelo auditor do TCU Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, que foi afastado por 60 dias e está sendo investigado. No início de junho, Bolsonaro passou a repetir a informação da análise pessoal, que diz que “em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid”.

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