“População mais vulnerável deve ser a prioridade”

Professor Rinaldo: “Priorizando o que é importante para a população, nosso Estado terá um futuro promissor”

 

 

Rinaldo Modesto de Oliveira é filho de pequenos agricultores, a quem ajudava nas lides da lavoura em Culturama, um distrito de Glória de Dourados. Mudou-se muito jovem para Campo Grande, estudando e trabalhando de servente de pedreiro a guarda de hospital e técnico administrativo da UFMS, até tornar-se professor e lecionar em escolas públicas, quando ganhou o epíteto que traz até hoje na vida pública: Professor Rinaldo.

 

Destacou-se no movimento comunitário ao presidir a Associação de Moradores do Bairro Parati. Em 2004 foi eleito vereador e dois anos depois deputado estadual. É um dos parlamentares mais produtivos e referência nos debates sobre direitos humanos, educação e esporte. Peça fundamental na estratégia de governabilidade, desempenha tarefas complexas, como liderar a bancada governista e atuar na solução de problemas que desafiam a capacidade dos políticos.

 

Nesta entrevista exclusiva à FOLHA, ele comenta a gestão do Estado e de Campo Grande, considera que o PSDB tem consistência para lançar chapa própria e afirma que Reinaldo Azambuja acertou na estratégia de governança: “A melhor forma de contribuir com nossa gente é lutar para fazer o bem, sempre pensando na inclusão social e na defesa dos direitos da população mais vulnerável”.

 

FOLHA DE CAMPO GRANDE – Nestes nove meses do segundo mandato do governador Reinaldo Azambuja, qual sua avaliação sobre o seu desempenho, citando o que foi feito de positivo e o que ainda precisa ser feito?

RINALDO MODESTO – Se observarmos o cenário econômico de 2015 pra cá, nosso País tem passado por dificuldades, não apenas o Mato Grosso do Sul. Por conta disso, um governador, de qualquer estado da Federação, precisa ser acima de tudo gestor. E o governador Reinaldo tem dado continuidade em seu mandato comprometido com a gestão, às vezes com medidas mais firmes, como as mudanças na previdência estadual em 2017, mas visando sempre a saúde econômica do nosso Estado. Um dos pontos positivos, por exemplo, é que, enquanto a maioria dos estados encontra dificuldade para pagar servidores, parcelando salários atrasados há meses, aqui, o salário dos servidores está em dia. Eu acredito que priorizando o que é importante para a população, nosso Estado terá um futuro promissor.

 

FCG – Falta alguma coisa pra melhorar a relação entre o governador e sua base de sustentação, tendo em vista que algumas votações não foram da vontade do Executivo?

RM – Na verdade, a relação entre Governo do Estado e o Poder Legislativo sempre foi muito boa. O governador foi deputado e tem bom relacionamento com todos os parlamentares, independentemente de partido, isso ajuda na convivência, respeitando, é claro, sua independência. A base sempre deu apoio aos projetos do Executivo, mesmo quando eram impopulares. Mas é preciso lembrar que o voto de cada deputado é legitimado pela população que o escolheu, por isso, em alguns casos, os votos podem não acompanhar o desejo do Executivo, é assim que a democracia é exercida no País.

 

FCG – O PSDB prepara candidatura própria ou deve prevalecer a tendência de uma coligação com o PSD para apoiar a reeleição de Marquinhos Trad?

RM – Ainda é muito cedo, mas o PSDB é um partido que tem consistência para uma candidatura própria, tem vários nomes à disposição e está preparado para isto. Mas vamos acompanhar pelas pesquisas o sentimento da população, para só então definir esta questão no momento oportuno.

 

FCG – Seu mandato se destaca na luta pelas políticas afirmativas, de direitos da mulher e dos segmentos mais vulneráveis. Quais os avanços que já foram concretizados e quais as lacunas ainda não preenchidas?

RM – Sempre acreditei que a melhor forma de contribuir com nossa gente seria lutando pra fazer o bem e criando mecanismos que viessem ao encontro das necessidades da população. Foi Assim que nasceu o ‘Projeto Tocando em Frente’, que leva diversas atividades culturais para crianças e adolescentes no contraturno da escola, tirando essas crianças da rua. Nesta mesma linha de pensamento implantamos a Política de Prevenção à Violência Contra os Educadores, ter criado o Estatuto do Aluno e implantar nas escolas o Projeto de Robótica, ou seja, dentro de um segmento os interesses se encontram, então foi possível oferecer proteção ao corpo docente, garantir o direito dos alunos e também despertar o interesse destes alunos usando a robótica, que envolve matemática, física, criatividade e por aí vai. Outro avanço foi a criação do Cefor – Centro Avançado para Capacitação de Educadores da rede Pública e Privada de Ensino – para capacitar professores que trabalham com alunos especiais. Nesta questão dos direitos da mulher algumas das nossas ações são a campanha ‘Agosto Lilás’ e o programa ‘Maria da Penha Vai à Escola’. Destinamos emenda parlamentar para a instalação da primeira Sala Lilás do Estado, temos projeto em tramitação que busca o aprimoramento no atendimento imediato à mulher vítima de violência sexual. Atuamos firmemente no combate ao aborto e à pedofilia. Tudo isso já é realidade, mas nossa meta é continuar atuando com apoio de parceiros, como nas ações sociais que apoiamos, para levar diversos serviços gratuitos para a população mais carente, sempre pensando na inclusão social e na defesa dos direitos desta população, de alguma forma, mais vulnerável.

 

FCG – O PSDB de Mato Grosso do Sul está satisfeito com o desempenho do governo federal ou há restrições? Se há, quais são?

RM – Ainda é muito cedo para fazer uma avaliação neste sentido, mas acredito que todos os brasileiros que amam seu País, devem torcer para sairmos da estagnação que o Brasil viveu nos últimos anos, e que venhamos colocar novamente nossa nação no caminho do desenvolvimento, gerando emprego e renda para nossa gente.

 

FCG – A gestão de Campo Grande está sendo bem conduzida? Qual sua avaliação sobre o desempenho da atual administração?

RM – O prefeito prometeu resolver todos os problemas da cidade e que tinha receita para todas as demandas, mas o que vemos é mais da metade da população reclamando da falta de saúde, sem atendimento e faltando remédio nas UPA’s, transporte coletivo deficiente. Agora, não sou a favor do “quanto pior, melhor”, pelo contrário, precisamos torcer e trabalhar para que nossa Capital dê à população a dignidade que ela espera.

 

FCG – Qual sua avaliação sobre o desempenho do Legislativo?

RM – O Poder Legislativo passou por uma renovação importante nas últimas eleições. Foram eleitos novos deputados que trouxeram seus pensamentos e suas formas de atuar em benefício do Estado. Isso nos traz novas perspectivas, novas possibilidades nas ações parlamentares de todos os deputados. Além disso, o deputado Paulo Corrêa tem feito um excelente trabalho na presidência desta Casa, desde o funcionamento interno, mas também conduzindo a Assembleia à diálogos importantes com outras instituições. Eu creio que todos nós temos muito a ganhar até o final desta legislatura.

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