Números alarmantes: vereadores em recesso mantêm foco no vírus

Vereadores da Comissão Especial de Combate à Covid-19: quadro da Capital é preocupante

Mesmo no recesso parlamentar, a Câmara Municipal se mantém ativa e todos os vereadores disponíveis para qualquer intervenção que exija a presença do Legislativo. Nesta quarta-feira (22), uma live promovida pela Comissão Especial em Apoio ao Combate à Covid-19 debateu o agravamento da situação na Capital. Nesse dia, Campo Grande registrava 928 casos confirmados em 24 horas. Em todo Mato Grosso do Sul, um novo recorde, totalizando 1.503 novos diagnósticos. Assim, o Estado somava 18.889 casos e 257 mortes na pandemia, segundo o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende.

Os vereadores debateram tudo que envolve a pandemia, como o mini-lockdown, a saturação da capacidade de atendimento na rede hospitalar e os riscos que a população continua correndo. Novos leitos hospitalares foram abertos, porém a taxa de ocupação permanece próxima ao limite. Há necessidade de ampliar as medidas restritivas para ampliar a taxa de distanciamento social, meio recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para tentar controlar a rápida propagação da doença.

A diretora do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Rosana Leite de Melo, prestou informações sobre a ocupação de leitos, o enfrentamento da doença em parceria com outros hospitais e a dificuldade para aquisição de determinados medicamentos. Os vereadores Dr. Livio (PSDB), Eduardo Romero (Rede) e Delegado Wellington (PSDB), debateram e fizeram perguntas aos convidados, além de interagir com o público pelas redes sociais.

“A doença avança como se estivéssemos subindo de elevador até o 30º andar em apenas poucos segundos. A positividade é alta em Campo Grande, precisamos de outras ações para cessar esse grau de transmissibilidade, pois uma parcela significativa desses casos pode precisar de internação hospitalar”, comparou Geraldo Resende. Ele ponderou que as decisões são tomadas respeitando o que for definido pelos prefeitos ou prefeitas de cada município.

O secretário citou que as medidas mais rigorosas adotadas pela prefeitura para garantir distanciamento social ainda não surtiram o efeito desejado. O mini-lockdown e as demais medidas drásticas serão mantidas até o próximo dia 31. No domingo passado, quando somente serviços essenciais continuaram funcionando, a taxa de isolamento foi de 49%, pouca diferença em relação ao domingo anterior, de 43%.

CAPACIDADE

A taxa de ocupação de leitos críticos no Hospital Regional está em 90%, restam cinco leitos críticos para adultos e um semi-crítico. No entanto, esse índice chegou a 97,7% no dia anterior, conforme Rosana de Melo, respondendo a uma pergunta do vereador Dr. Livio, presidente da Comissão. “Mais que dobramos nossa capacidade operacional em leitos críticos, o que envolve também recursos humanos”, disse. O Governo do Estado autorizou processo seletivo para contratação de mais profissionais e nos próximos dias mais 30 enfermeiros serão chamados.

A diretora disse que o HR está ocupado quase totalmente com o atendimento aos casos de Covid-19, sendo mantidos alguns serviços essenciais para o tratamento de pacientes, como a oncologia clínica, a quimioterapia e o setor de nefrologia, já que muitos pacientes de coronavírus também necessitam de hemodiálise. “Como estamos aumentando a curva, publicamos portaria que cancelaríamos todas as nossas cirurgias eletivas e só faríamos urgências e emergências”, afirmou.

O secretário também comentou sobre o desafio de abrir novos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no Estado. Foram 18 novos leitos no Hospital do Câncer, além de 37 em hospitais particulares. O vereador Delegado Wellington questionou sobre pacientes de outros estados que estão sendo atendidos em leitos de Mato Grosso do Sul. O secretário informou que o acesso não pode ser negado, mas que para transferência pelo SUS (Sistema Único de Saúde) teria de passar pelo sistema de regulação.

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