BETO AVELAR

“Eu assumi compromissos, não fiz promessas”
Vereador e líder do prefeito destaca desafios na Câmara e o êxito no combate à pandemia

Eleito com 3.750 votos para sua primeira investidura política, o advogado Roberto de Avelar pisa com firmeza e desenvoltura num terreno geralmente hostil e indecifrável aos estreantes. Prestes a completar 57 anos, Beto – como é conhecido -, acumula conhecimentos e experiências que o credenciam: é pós-graduado em Direito Processual do Trabalho e foi diretor da Funsat (Fundação Social do Trabalho de Campo Grande).

Na Fundação, destacou-se em intervenções bem-sucedidas, uma delas quando coordenou o Proinc (Programa de Inclusão Profissional) entre 2018 e 2020. Trata-se de um programa assistencial que proporciona ocupação, qualificação social e profissional e bolsa-auxílio para cidadãos desempregados. Beto Avelar procurou ampliar esse arco de benefícios e ganhou admiração e respeito da sociedade.

Com menos de cinco meses de mandato, é um dos vereadores mais atuantes na Câmara. Garimpa resultados de alcance humanista, como a ampliação de benefícios para os assistidos do Proinc (estabilidade da gestante, seguro de vida, gratuidade em concursos públicos da Prefeitura, bônus natalino, descanso remunerado e a poupança para resgate ao fim do contrato). Líder do prefeito no Legislativo, Beto Avelar não hesita em defender a candidatura de Marquinhos Trad a governador. “O que ele fez pela Capital o capacitou”.

 

FOLHA DE CAMPO GRANDE – O que foi decisivo para garantir sua primeira eleição em Campo Grande?
BETO AVELAR – O trabalho desenvolvido na Funsat (Fundação Social do Trabalho) foi um fato. É uma atividade voltada para o social. E com a nova lei que veio reformular o Proinc (Programa de Inclusão Profissional), dando direitos aos beneficiários, melhorando e ampliando seu alcance, contribuiu com a candidatura. E, além disso, tem o desejo da sociedade por renovação política. Creio que esses dois fatores tiveram o peso decisivo.

FCG – Já iniciando o mandato vem o primeiro grande desafio: ser líder do prefeito. O que complica e o que facilita nesse papel tão exigente?
BA – Existe um paradigma em Campo Grande: líder de prefeito não se reelege. É uma atribuição que muitas vezes cria repercussão negativa quando o líder defende alguns projetos do Executivo. Mas no período que passei na Funsat e na convivência com o prefeito Marquinhos Trad, sempre verifiquei que antes de mandar um projeto pra Câmara ele sempre checa a legalidade e também a repercussão positiva da sociedade. Aceitei o desafio e os paradigmas estão aí para ser quebrados.

FCG – Quais os maiores compromissos de campanha que pretende ou que já começou a cumprir?
BA – Já apresentei vários projetos. Eu digo que assumi compromissos, não fiz promessas. Mesmo em época de campanha e à procura de voto, o legislador tem que falar a verdade ao seu eleitor. Prometer é criar às vezes falsas expectativas. A população está cansada de ser enganada por promessas que não se cumpre. É fundamental, ainda, elaborar propostas que considerem sua viabilidade, sua exequibilidade. São 29 vereadores e os projetos precisam do voto da maioria. E o legislador corre o risco, muitas vezes, de passar por mentiroso quando não consegue aprovar um projeto que prometeu.

FCG – Pertencer ao partido do prefeito e ser o seu líder dificulta o papel de fiscalizar o Executivo? Como é que o senhor vai lidar quando esse tipo de calo apertar?
BA – Não, não dificulta, muito pelo contrário. Meu papel me credencia. Tenho um acesso melhor ao Executivo, por meio dos secretários, e constantemente estou fiscalizando, tanto o erário como as obras. É a função do vereador: fiscalizar.

FCG – Qual sua avaliação sobre o papel da prefeitura no combate à Covid e tendo grande parte da população que não cumpre os protocolos médicos?
BA – Temos que considerar primeiro a questão do prefeito Marquinhos Trad. Sem querer achar este ou aquele culpado, no caso o governo federal, que deveria ter tomado medidas como foram tomadas em Campo Grande. O prefeito montou um colegiado, com representantes do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e, principalmente, as partes interessadas: o comércio, a indústria, a população… Todas as decisões para tentar conter ou diminuir o impacto da Covid foram tomadas não pelo prefeito Marquinhos Trad, mas por um colegiado, inclusive pessoas técnicas, da área da saúde. O prefeito montou um colegiado, a medida funcionou, virou referência nacional e o governo federal deveria acompanhar, fazer o mesmo

FCG – Serviu de modelo esse procedimento, com o colegiado?
BA – Esta opção em Campo Grande deveria ser acompanhada, sem querer buscar culpados. Qualquer medida que o prefeito toma pode ou não agradar. Mas dessa forma, com um colegiado decidindo, é diferente, é legítimo. Outro aspecto para elogiar o Executivo: a vacinação. Aqui a campanha é referência em âmbito nacional.

FCG – Como militante do PSD, qual sua visão sobre o papel a ser cumprido pelo partido e pelo prefeito nas eleições de 2022? Lançar chapa própria ou ficar na aliança com o PSDB?
BA – Eu torço para que o prefeito coloque o nome dele para governador. Uma decisão difícil, tem que renunciar. Mas é um desafio. Pelo que ele fez na cidade, ele tem credenciais. A cidade era uma terra devastada quando ele a recebeu. Então, é de suma importância que tenhamos uma pessoa preparada [no governo], o Estado vai ganhar com isso. A prefeitura não terá prejuízo, pois nossa vice-prefeita acompanha o trabalho, sabe das necessidades da capital. Eu adoraria participar desse desafio para que nós tenhamos o Marquinhos Trad como futuro governador.

FCG – Em síntese, quais suas avaliações sobre os governos de Reinaldo Azambuja e Jair Bolsonaro?
BA – O governo Bolsonaro tinha uma grande oportunidade. No início do mandato ele mandou bem na questão de não fazer conchavos. Foi uma eleição que ele ganhou com as mídias sociais. O discurso começou muito bem. Ultimamente, sobretudo na questão da pandemia, ele deixa um pouco a desejar. É a questão da importância e da preocupação que nós temos aqui com as vidas humanas. Quando o nosso presidente vem de improviso e pra imprensa, em geral, acaba se complicando com sua própria fala. O governo estadual faz a parceria com o Executivo, a aproximação tem que ocorrer, independentemente da bandeira partidária. O governo e o prefeito se aproximaram e quem ganhou com isso foi a população campo-grandense. Então, é positiva minha análise sobre essa união.

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