BRUNO NÓBREGA

“A Educação e o Esporte salvam crianças e adolescentes”
“Sempre incentivamos as crianças a estudar, até porque quase não existe mais jogador sem estudo”

Mais de 20 projetos focados na inclusão social e educacional dão a ideia dos conceitos que motivam o professor de Educação Física Bruno Nóbrega. Ele está à frente de um dos projetos para infância e adolescência que mais avançam em Campo Grande: Escolinha Pública de Futebol.

Antes, uma iniciativa pessoal plantada na periferia, a ideia foi abraçada com entusiasmo pelo prefeito Marquinhos Trad e tornou-se “menina dos olhos” desta gestão.

É assim que Bruno Nóbrega recebeu o incentivo do prefeito para candidatar-se a vereador pelo PSD, pensando em fortalecer esse projeto.

 

FOLHA DE CAMPO GRANDE – Como nasceu e em que estágio se encontra o Projeto Escolinha de Futebol?
BRUNO NÓBREGA – A escola que idealizei nasceu de uma experiência que eu já tinha com os Meninos da Vila, uma escolinha, um projeto com o time do Santos. Levei ao prefeito e ele atendeu prontamente. Na época, estava assumindo a prefeitura e não havia recursos. Disse que era um projeto interessante, diferenciado, participação de ex-jogadores como o Copeu, o Gonçalves, o Pastoril, dando aula. A prefeitura estava com dificuldades, salários atrasados e outras coisas. Não dava para lançar o projeto, fazer licitação, contratar, equipar. Eu falei que ficasse tranquilo e enquanto ele reorganizava a prefeitura eu poderia correr atrás. Foi o que fiz. Consegui todo o material esportivo do projeto até hoje com os parceiros Sicredi, Copagaz, Anita Calçados, entre outros.

FCG – Há várias iniciativas semelhantes na cidade. O que é que diferencia dos demais esse que você coordena?
BN – Além dos ex-jogadores, que o projeto trouxe para o mercado de trabalho, tem a atividade escolar das crianças, a frequência, as notas que a gente confere com os pais para saber como estão nos estudos. Os alunos participam de várias competições e de uma equipe, a Escola de Campeões, um projeto feito para reunir os melhores e faz um trabalho diferenciado. Sempre incentivamos as crianças a estudar, até porque quase não existe mais jogador sem estudo.

FCG – É possível fazer uma projeção de crescimento em unidades urbanas e número de beneficiários do projeto nos próximos anos?
BN – Hoje o nosso projeto tem 16 polos na cidade. Há lugares aonde o poder público não consegue chegar. Mas tem que chegar. Vamos atrás, chegar nesses lugares, o esporte na vida dessas crianças salva das drogas e de outros caminhos. E quantas pérolas temos que podem ser lapidadas, podem ser diamantes no esporte nacional e até mundial, ajudando a família, a comunidade… Então, temos que fazer desse um dos melhores projetos do Brasil.

FCG – É verdade que sua candidatura a vereador nasceu de um empenho pessoal do prefeito Marquinhos Trad e de um compromisso programático em investir no esporte inclusivo?
BN – Recebi o convite do prefeito no começo do ano. Tinha acabado de chegar de uma competição, quando nos encontramos. Disse que o time do projeto tinha sido o campeão no primeiro torneio oficial que disputou em outra cidade, jogando com os grandes da casa e saímos vitoriosos. Ele deu os parabéns, disse que acompanhava o projeto e o trabalho com as crianças e então perguntou se eu já tinha pensado em ser candidato a vereador. Eu disse que nunca havia pensado nisso, mas se ele quisesse eu topava. Ele afirmou que essa decisão teria que sair de mim, porque seria uma forma de ajudar mais as crianças e jovens da periferia. E aqui estamos nós, nesta caminhada.

 FCG – Já existe alguma ideia ou algum projeto a defender na Câmara caso sua eleição seja concretizada em novembro?
BN – Uma das ideias é o Jardim Sensorial, para as crianças especiais. Um ambiente natural, no qual as crianças desenvolvem coordenação motora, tato, olfato. Essas crianças passam a maior parte da infância cercadas por profissionais de jaleco branco. Então, é trazê-las para um ambiente no qual se desenvolvam melhor. Outra proposta é implantar nos parques brinquedos inclusivos. Não temos em nossos parques brinquedos para cadeirantes, autistas, carrossel, gangorras, balanços com cintos de segurança, por exemplo. E vamos propor 1% do IPTU dos condomínios fechados para implantação de oficinas de esporte e lazer nas comunidades carentes das adjacências. O condomínio Damha, por exemplo, tem ali perto o Jardim Noroeste, um contraste social profundo. Então, 1% do que o morador do Damha paga de IPTU pode custear o investimento na inclusão e na melhoria da qualidade de vida das áreas residenciais de menor poder aquisitivo da região.

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