CARLÃO BORGES

“Precisamos de poderes harmônicos e independentes”
Vereador prega “oposição construtiva”, elogia papel da Câmara e sugere Ayache para vice

Em seu quarto mandato consecutivo, o vereador Carlão Borges (PSB), revelado no ativismo comunitário, é hoje um dos líderes políticos mais respeitados e experientes de Campo Grande. Eleito por unanimidade pelos colegas para presidir a Câmara pela segunda vez, ele renova o apelo para que os poderes busquem andar em harmonia, sem prejuízo da autonomia, destaca o desafio no combate à pandemia e na recuperação da economia e defende uma oposição construtiva ao governo federal. E sobre as eleições, vê com simpatia uma aliança com o PSDB em 2022 e sugere o nome do presidente do PSB, Ricardo Ayache, como opção para vice.

 

FOLHA DE CAMPO GRANDE – A cidade já pode voltar ao normal ou ainda não é hora, apesar da queda de casos e hospitais com zero de internação por Covid?
CARLÃO BORGES – Acredito que com o avanço da vacinação, já na casa dos mais de 60% da população adulta com as duas doses e 71% com a 1ª dose, podemos ter mais tranquilidade em retomar as atividades da cidade. Por isso, foi flexibilizado o comércio e a realização de eventos. É claro que com respeito às medidas de biossegurança. E no caso das grandes aglomerações é necessário um cuidado maior. Teremos que nos adaptar a esse novo normal. Evitando passarmos pelo pesadelo que foi essa pandemia. Na Câmara, já retomamos as sessões abertas ao público, mas com os devidos cuidados. E aos poucos vamos retornando ao normal.

FCG – O município deve agir com autonomia ou seguir o Ministério da Saúde em questões polêmicas da pandemia, como a terceira dose e a suspensão da vacina para os adolescentes?
CB – Existe uma normativa federal que precisa ser respeitada, até porque o Plano Nacional de Imunização que determina a distribuição das doses. Então, a decisão mais assertiva é andar em consonância com as definições de todas as esferas: municipal, estadual e federal. Isso não impede que os médicos discutam as melhores ações com base na ciência e nas comprovações de resultados. Essa doença nos mostrou a necessidade de respeitarmos a ciência, combatendo o negacionismo.

FCG – Faltam três meses para o final do exercício. Quais as principais pautas da Câmara nesse período?
CB – Acabamos de aprovar o Novo Prodes (Programa para Incentivos ao Desenvolvimento Econômico e Social), de autoria do Executivo. A lei atualiza dispositivos para atração de investimentos e fornece mais oportunidades para pequenos empresários, e também aos médios e grandes geradores de empregos. Incentivo importante para a retomada do desenvolvimento econômico da Capital, essa atualização é um grande avanço. Nos próximos meses vamos discutir e analisar o projeto sobre as diretrizes para elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que prevê orçamento de R$ 4,789 bilhões para o ano de 2022. Também deu entrada na Casa o Plano Plurianual (PPA), que vai definir os investimentos de mais de R$ 15 bilhões para os próximos quatro anos. A relatoria é do presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Casa, vereador Betinho, e agora vamos elaborar as emendas que serão apresentadas pelos parlamentares com previsão de serem votadas até dezembro de 2021. Além, é claro, dos projetos dos parlamentares que tramitam na Casa.

FCG – O que o senhor incluiria e o que excluiria da proposta de mudanças na legislação eleitoral?
CB – Eu sou favorável às coligações nas chapas minoritárias, mas a mudança já foi aprovada e estava valendo desde as eleições passadas. Agora temos que nos adequar. A democracia é assim. Faz parte do processo nos adequarmos às regras e trabalhar para a conquista do eleitorado, sempre respeitando a legislação eleitoral.

FCG – O PSB entra ou não no movimento “Fora Bolsonaro” e por quê?
CB – O partido em nível nacional adotou um posicionamento de oposição ao atual governo federal. Aqui estamos sob o comando do Ricardo Ayache e hoje entendemos que é preciso cobrar o Executivo Estadual e o Municipal de forma construtiva, apoiando nas ações de interesse da população, até porque estivemos juntos nas eleições. Sobre o governo federal, acredito em uma oposição construtiva que trabalhe em favor do país. Vamos ver como as coisas vão se encaminhar nesse processo de polarização. Não sou favorável a esse clima de guerra. Não é bom para ninguém. Precisamos de harmonia entre os Poderes e independência. Espero que o processo eleitoral seja nesse foco, o da superação da crise e da retomada do desenvolvimento. Um país dividido não consegue subsistir.

FCG – Nas opções para a sucessão estadual, o PSB tem Ricardo Ayache e o PSD tem o prefeito Marquinhos Trad. É favorável à candidatura de Marquinhos Trad ao governo ou prefere uma chapa própria do PSB?
CB – O Dr. Ricardo Ayache seria um ótimo nome para a disputa. Mas acredito que vamos trabalhar pelo fortalecimento da nossa bancada federal e estadual. E formar uma parceria para governo. O Ayache seria um excelente vice. Sobre o prefeito Marquinhos Trad ser candidato, vem fazendo uma boa administração na Capital e depende só dele decidir se deve ou não entrar na disputa. Ainda não temos a definição dos concorrentes, mas o PSB vai definir pela melhor parceria para nosso Estado.

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