NEUDES RIBEIRO

“O kit Covid dificulta a vida do coronavírus”
O médico Neudes Ribeiro Cardoso: tratamento precoce tem bases científicas

Contra o coronavírus só há três caminhos ou a morte. Um deles é recorrer ao tratamento preventivo com o Kit Covid, hidroxicloroquina e ivermectina. Quem afirma é o médico Neudes Ribeiro Cardoso. Renomado, um dos mais atuantes profissionais que atuam em Campo Grande, na pandemia ele prescreve esses medicamentos a seus pacientes.

Na entrevista à Folha de Campo Grande, Neudes põe sua palavra no centro da acirrada polêmica entre quem sustenta a prescrição do kit e quem o condena. Para o médico, o argumento é simples: “Quem prescreve vem reunindo dados robustos para provar que estas drogas ajudam os pacientes a vencer a virose com maior facilidade”.

Neudes Ribeiro discorda também de quem responsabiliza o governo federal pelo agravamento da crise de saúde e coloca esse débito na conta do Supremo Tribunal Federal. Critica a CPI da Pandemia e a Organização Mundial de Saúde (OMS), assinalando que faltou humildade para reconhecer evidências do papel da ivermectina no tratamento precoce da Covid-19.

 

FOLHA DE CAMPO GRANDE – Quais as garantias médicas e científicas que sustentam a prescrição do kit Covid, com ivermectina e hidroxicloroquina, para a contaminação pela Covid-19?
NEUDES RIBEIRO – Estas drogas, largamente conhecidas da ciência, prescritas para outras finalidades, já mostravam indícios de eficácia parcial contra outros vírus. A indicação para o tratamento do coronavírus não surgiu do nada. Havia evidências desta possibilidade que despertaram pesquisadores que alertaram a comunidade médica mundial. De um modo geral, não temos drogas viricidas. Então, contra o vírus só temos três caminhos: ou o ser parasitado reúne forças, suporta a agressão e elimina o vírus; ou evitamos a doença com vacinação prévia; ou abrandamos a doença com drogas que atrapalham a vida do vírus, chamadas adjuvantes. Caso contrário, o indivíduo morre.

FCG – E os antirretrovirais?
NR – Não vou entrar na seara dos antirretrovirais. Diante de um vírus novo, sem desenvolvimento vacinal prévio e sem drogas adjuvantes, o que fazer? Como o comportamento do coronavírus mostrou-se imprevisível, tornou-se para alguns médicos temerário deixar que os pacientes enfrentassem a virose sem nenhum suporte. Não tínhamos proteção vacinal. Não tínhamos tempo para estudar drogas que pudessem ajudar. Ora, se já tínhamos estas drogas que mostraram evidências que atrapalhariam a vida do vírus, estes remédios começaram a ser prescritos. As garantias médicas e científicas não existiam lá atrás, quando a pandemia tomou corpo. Mas entre não fazer nada, apenas testemunhar quem toleraria a virose ou não, testar estas evidências passou a ser uma questão de bom senso. Quem prescreve vem reunindo dados estatísticos robustos para provar que estas drogas podem ajudar os pacientes a vencer a virose com mais facilidade.

FCG – O fato de a OMS não recomendar e até fazer restrições a esses medicamentos justifica a dúvida sobre sua eficácia?
NR – Sem dúvida. O posicionamento da OMS gerou esta desconfiança. Mas a mesma OMS não possuía nada de científico a sustentar a sua recomendação. A OMS só disse: “não há pesquisa científica que comprove a eficácia destas drogas”. Claro, era uma doença viral nova.

FCG – O que faltou ou falta para a Ciência, por seus organismos reguladores, como a OMS, reconhecer o kit Covid?
NR – Passado mais de um ano falta humildade à própria OMS e a seus organismos reguladores. Falta reconhecer que há médicos incansáveis, que buscam a todo o momento minimizar o sofrimento diante da contaminação. Falta reconhecer que estas drogas atrapalham a vida do vírus. Já está provado que estas drogas diminuem a replicação viral e consequentemente o paciente sofre uma agressão menor. Sendo assim, o paciente aumenta suas chances de não complicar, já que a resposta inflamatória é menor. As drogas são indicadas para o primeiro ou segundo dia de sintomas, antes mesmo de positivar exames. Se esperarmos pelo resultado do laboratório, perderemos um tempo enorme. As pessoas que se negam a estudar a doença argumentam que estão cansadas de intubar pacientes com as drogas no bolso. Sim, isto é possível quando se perde tempo esperando pelo laboratório. O tratamento com estes adjuvantes são para médicos que tratam pela clínica e não dependem do exame de laboratório. Médicos que tratam pacientes e não papel. E diante do que se conhece até agora da doença, se a OMS fosse essa última trincheira protetora da saúde mundial, já teria se interessado por estes dados favoráveis. Mas não precisa ser muito inteligente para constatar que há um lobby financeiro e político muito grande por trás da pandemia.

FCG – Houve falta de envolvimento do governo federal ou de melhor posicionamento do presidente da República para enfrentar a pandemia?
NR – Eu não diria que houve falta de envolvimento do governo federal. Quem determinou as ações públicas que deveriam ser tomadas diante da pandemia foi o STF. Uma clara ingerência do judiciário sobre o executivo. O STF determinou que o gerenciamento da crise fosse de estados e municípios. O STF agiu assim numa clara tentativa de diminuir a estatura política do presidente. O STF determinou que o executivo federal deveria municiar estados e municípios com dinheiro e deixar que governadores e prefeitos gerissem a crise. O STF errou ao tomar esta decisão e o Senado Federal, que é quem deveria intervir, nada fez.

FCG – Qual sua avaliação sobre a CPI da Covid?
NR – A CPI da Covid é resultado do erro que o STF cometeu. A estratégia de suprimir ações do executivo federal criou uma força política paralela, numa espécie de parlamentarismo branco. O congresso hipertrofiou, chefiado que era por um parlamentar de oposição ambicioso. O STF, dominado por juízes indicados pela oposição de governos passados, legisla, quando somente deveria julgar e proteger uma constituição federal caótica e ultrapassada. A CPI deveria trazer uma explicação à nação do que foi feito com o dinheiro destinado para estados e municípios conduzirem a pandemia. Aos primeiros passos que vemos, pelos senadores indicados para a condução, a nação será mais uma vez trocada pelos interesses individuais. Há uma clara intenção de desviar do objetivo principal e colocar o executivo federal como grande responsável pela catástrofe produzida pela pandemia. Agora o STF se deu conta do seu segundo erro. Como responsabilizar o presidente se este mesmo STF lhe tirou o poder? A CPI servirá para tudo, menos para o povo.

FCG – O distanciamento social e o toque de recolher ainda são necessários?
NR – O mundo adotou estas medidas porque não existe o que fazer. As autoridades adotaram medidas usadas durante a pandemia da gripe espanhola que chegou ao Brasil há mais de 100 anos. Neste tempo não se estudou nada mais para prevenção. E tem alguma coisa a mais para fazer? Não. Claro que o distanciamento social ajuda, mas não funciona. E se fosse possível, este distanciamento deveria ser de 10 metros em raio. Agora o que vemos é uma distância na fila do pão, na fila do banco e outras pessoas passando ao lado das filas a uma distância de meio metro. O trabalhador mantém distanciamento durante a jornada de trabalho e ao final do dia divide um ônibus lotado. Será que precisa ser um letrado cheio de diplomas especializados em saúde pública para concluir que isto não resolve? Toque de recolher é outra aberração. Que vírus é este que contamina dramaticamente nas madrugadas e poupa aglomerações durante o dia? O discurso “fique em casa, proteja quem você ama” dá certo para aposentados e funcionários públicos, que têm seus vencimentos garantidos. E dá certo por pouco tempo, pois o estado não gera recursos para pagá-los. Agora, entre não fazer nada e fazer alguma coisa, o político dá uma resposta à sociedade. Impõe o toque de recolher e diz: “isto é para o seu bem”. Intimamente, ele pensa: “O curral eleitoral precisa testemunhar atitudes, mesmo que estúpidas”.

FCG – Porque o Brasil não acompanhou outros países na rapidez de acesso às vacinas?
NR – O mundo precisa da mesma coisa e urgente. Temos mais de sete bilhões de pessoas no mundo. Grosso modo, são cerca de 15 bilhões de doses. Cerca de uma ou duas dezenas de fabricantes. O processo de fabricação requer tempo e cuidados rigorosos. Então, é fácil concluir que não basta ter dinheiro e vontade política para comprar o produto. Precisa existir a oferta. A pandemia chegou ao Brasil em fevereiro de 2020. Quem, em juízo normal, começaria a produzir insumos sem conhecimentos técnicos? Quem está na nossa frente foi porque por lá a pandemia chegou também antes de nós. Agora, do ponto de vista político, a oposição se serve para tirar proveito da situação. Circula informações de que o presidente não comprou um lote de vacinas ainda no ano passado. Vá lá na Anvisa e pergunte quem vetou a compra e porquê. Mesmo assim, dentre os 195 países do globo, estamos bem colocados. O Brasil, até abril de 2021, era o 4º em número de doses administradas [cerca de 37 milhões de doses] e 12º em percentagem de vacinados. Será que isto é catastrófico, como querem alguns?

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