Geraldo Silva

EDITORIAL

Brincadeira sem-graça e sem vergonha

Os números: até o dia 2 de setembro de 2020 o coronavírus havia causado em Mato Grosso do Sul 212.516 notificações, das quais 156,2 mil descartadas e 50.645 confirmadas. Destas, a maioria (41.815) conseguiu recuperação, enquanto ocorreram 903 óbitos.

A Covid-19 não é para ser levada em banho-maria. Mata. E quando não mata, pode deixar de herança nos organismos humanos sequelas devastadoras, sobretudo no sistema respiratório. Esta é a realidade nua, crua, incontestável, para quem tem corpo atlético ou para quem é um Hércules.

Infelizmente, esses números poderiam ser muito menores. Só chegaram a essas proporções por causa de uma fração expressiva da sociedade que subestima o vírus, muitos o convidam para passear, participar de celebrações, curtir o som da balada ou deitar e rolar nos festins da irresponsabilidade.

As autoridades públicas e civis têm feito de tudo para reduzir ao máximo as curvas de contaminação. É toque de recolher, proibição de festas, barreira sanitária e tudo o mais – inutilmente! Tem gente – e não é pouca – levando na brincadeira.

Não por acaso as mortes continuam sendo registradas, as internações idem e as preocupações de quem se cuida evoluem até instalar um contexto de desespero. Os justos pagam pelos pecadores. Pecadores e brincalhões. Uma brincadeira sem graça e sem vergonha.

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