A Mulher Na Janela: a visão persuasiva do caos psicológico

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Existem filmes não perfeitos que são agradáveis o suficiente – aqueles que oferecem uma energia sedutora de extremos agitados e uma sensação de experiência extravagante que ajusta com novos modos histórias de filme familiares, e que pelo menos parecem uma quebra de corrente usual de convenções cinematográficas.

A Mulher na Janela que está disponível agora na Netflix é um desses filmes. Seu script é tolo – mas um tolo trazido para a tela com muito entusiasmo. O filme acompanha Anna Fox (Amy Adams), uma agorafóbica beberrona que acredita ter testemunhado um assassinato da janela de sua casa no Harlem, Nova Iorque. Durante a primeira hora, há uma série de elementos de história tenuamente ligados que estarão sendo alinhados como dominós e é isso que tornará o longa surpreendentemente revigorante.

Anna é psicóloga infantil e não sai de casa há dez meses. Ela diz morar separada do marido Ed (Anthony Mackie) e da filha Olivia (Mariah Bozeman), e recusa visitas, exceto pelo psiquiatra Karl (interpretado por Tracy Letts) que vem até sua casa para as sessões. Anna preenche seus dias com filmes do Hitchcock e, ironicamente acaba envolvida num roteiro a la Janela Indiscreta. Espiando na casa do outro lado da rua, ela percebe uma nova família se mudando: um casal, os Russell, e seu filho adolescente Ethan (Fred Hechinger). Logo, a dita mãe do menino, Jane (Julianne Moore), chega e fica amiga dela.

Então, poucos dias depois, Anna olha pela janela e testemunha Jane sendo esfaqueada na casa dos Russell; mas quando Anna chama a polícia, eles e outras pessoas em sua volta – incluindo o inquilino que mora em seu porão, David (Wyatt Russell), a rotulam de maluca. Mas a verdade é que todos parecem estar agitando-a em um conluio entre o marido de Jane, Alistair (Gary Oldman) e com outra mulher (Jennifer Jason Leigh), que se apresenta como Jane e parece muito viva.

A configuração do filme é dominada pela perturbação mental de Anna – sua ansiedade é amplificada pela combinação de álcool e seus muitos medicamentos, levando-a à beira da ilusão. O estado mental de Anna é o elemento que surge com vigor imaginativo. As ambigüidades de sua experiência, a dúvida sobre se suas próprias percepções ou as pessoas ao seu redor não são confiáveis, dão origem à estética incomum do filme. Seu próprio senso de identidade é refratado, difuso e estilhaçado. Oprimida pelos ângulos e ornamentos de seu entorno, ela fica sobrecarregada pelas demandas de sua redução fechada de uma vida e se encolhe na impotência.

O resultado disso é um esforço frenético para transmitir, por meio de recursos visuais, a experiência abstrata de um caos interior atormentador.

A Mulher Na Janela não merece comparação com filmes tão bem-sucedidos de Hollywood de extremos subjetivos como Delírio de Loucura de Nicholas Ray, Not Wanted (sem nome em português) de Ida Lupino ou, por falar nisso , Ilha do Medo, de Martin Scorsese – todos com um senso de personagem e tema tão forte quanto sua evocação expressiva. Mas o filme de Wright serve como um corretivo para a abordagem muito comum pra a produção de filmes, que prioriza a análise de traços de personagens vinculados ao script sobre a composição da experiência audiovisual.

A Mulher Na Janela é como um musical com músicas memoráveis ??adornando um livro estrondoso.

5 pipocas!

Disponível na Netflix.

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