Contágio: premonição bizarra do cinema

Contágio

A primeira dica é pra combinar com a pandemia e te ensinar a se proteger.

Atualmente no topo das paradas de downloads e streaming, Contágio (lançado em 2011) oferece uma visão do mundo em meio a um surto mortal de um vírus. Existem algumas semelhanças estranhas com nossa situação de coronavírus atual, e assisti-lo pode deixar você com uma sensação catártica de como as coisas podem acontecer nos próximos meses. O filme é uma obra de classe A, com o diretor Steven Soderbergh reimaginando o gênero de desastre famoso na década de 1970.

O elenco repleto de estrelas encontra seus personagens envolvidos em uma série de traços narrativos entrelaçados, enquanto todo mundo tenta lidar com o caos.

Claramente é um filme de referência para quem está em busca de respostas ou esperança.

O filme começa com Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) retornando de Hong Kong para casa nos subúrbios de Minneapolis. Inicialmente sentindo-se só resfriada, ela acaba rapidamente desenvolvendo febre e horas depois cai com uma convulsão na frente do marido Mitch (Matt Damon). Ao mesmo tempo, várias pessoas em Hong Kong sofrem um destino idêntico, enquanto um surto ganha força em Chicago, onde Beth esteve uma escala antes de voltar para casa. À medida que fica claro que um vírus mortal está em ação, a epidemiologista da OMS, Dra. Leonora Orantes (Marion Cotillard) é designada a encontrar a fonte da infecção.

Uma segunda vertente narrativa é a corrida pela cura. Trabalhando no Centro de Controle de Doenças (CDC), o Dr. Ellis Cheever (Lawrence Fishburne) envia a Dra. Erin Mears (Kate Winslet) para as linhas de frente da infecção, enquanto a Dra. Ally Hextall (Jennifer Ehle) tenta isolar o vírus em um laboratório, num primeiro passo para a criação de uma vacina, e ela recebe ajuda de um pesquisador externo da Universidade da Califórnia, Dr. Sussman (Elliot Gould).

Ainda há a narrativa das “autoridades que tomam decisões difíceis”: Cheever e seu chefe rabugento, Lyle Haggerty (Bryan Cranston), são vistos com frequência dando instruções à mídia e precisam conciliar seus deveres com o amor pela família, amigos e colegas.

Já Jude Law, entra com a narrativa da teoria da conspiração com um retrato bizarro de Alan Krumwiede, um blogueiro maluco com um terrível sotaque australiano que afirma que o CDC está mentindo e que ele tem uma cura para a doença. Enquanto todos esses tópicos se desenrolam, Matt Damon fornece a perspectiva do homem comum, isolado em sua casa suburbana e testemunhando o lento colapso da sociedade ao seu redor.

A configuração do filme contém quase que uma premonição. Soderbergh ilustra a propagação da doença exatamente como conhecemos hoje: doutores explicam que tocar o rosto com as mãos é um dos motivos da rápida disseminação. Outras imagens frequentes são de pessoas usando máscaras, prédios médicos criticamente lotados, ruas vazias e os mapas documentam o progresso da pandemia. Talvez a semelhança mais assustadora com a nossa situação real seja quando a investigação do CDC revela que o vírus passou para os humanos a partir de morcegos e porcos na China.

É um relato fascinante do bom, do mau e do feio comportamento que vem com as rápidas mudanças sociais. Além de Law – que parece completamente deslocado canalizando uma espécie de Julian Assange – o elenco é excelente.

Os trágicos flashbacks de Paltrow fornecem uma sensação estranha da vulnerabilidade que compartilhamos em uma vida social movimentada que já parece estranhamente distante hoje.

Escrito por Scott Z. Burns (que também escreveu O Informante para Soderbergh e Damon), a extensa pesquisa especializada que baseou a história ajuda Soderbergh a estabelecer uma sensação autêntica, quase documental.

Se Contágio não o convencer da necessidade de ficar em casa, não tenho certeza mais do que o fará.

5 pipocas!

Em cartaz na Amazon Prime Video.

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